Resíduos Contendo Mercúrio em Portugal: Dados Recentes e Desafios

A recolha de equipamentos e pilhas aumenta, mas persistem lacunas na gestão de resíduos perigosos

Entre 2021 e 2024, Portugal registou progressos assinaláveis na recolha e reciclagem de equipamentos elétricos e eletrónicos (EEE) e de pilhas e baterias, categorias que frequentemente contêm pequenas quantidades de mercúrio. Os dados apresentados pelo projeto LIFE Mercury Free — com base em relatórios da Eletrão e da GESAMB — mostram um crescimento constante da recolha, acompanhado por novas metas legislativas e operacionais.

Em 2024, foram recolhidas 36 383 toneladas de equipamentos elétricos, o que representa um aumento de 31% face a 2023. Cada cidadão português entregou entre 3 e 5 kg de equipamentos em pontos de recolha.
No mesmo ano, a Eletrão encaminhou para reciclagem 412 toneladas de pilhas portáteis, um crescimento de 22% face a 2023. Incluindo as pilhas industriais, o total ascendeu a 1 369 toneladas, traduzindo um aumento de 12%.
Atualmente, existem 8 735 pontos de recolha em todo o país — mais 21% do que no ano anterior.

No caso das lâmpadas fluorescentes, que continuam a ser uma das principais fontes de mercúrio nos resíduos urbanos, Portugal recolheu 313 toneladas em 2024. Estes dispositivos contêm entre 2 e 15 mg de mercúrio, dependendo do tipo e antiguidade, pelo que a sua recolha e tratamento adequados são fundamentais para evitar emissões tóxicas.
As instalações especializadas removem de forma segura cerca de 5 260 toneladas de substâncias perigosas dos equipamentos tratados, correspondendo a cerca de 15% do peso total.

Contudo, o relatório também evidencia desafios persistentes. Ainda não existem sistemas dedicados para a recolha de termómetros antigos de mercúrio, e muitos acabam tratados como resíduos urbanos comuns. Além disso, o fenómeno do comércio eletrónico dificulta a fiscalização e o cumprimento da responsabilidade alargada do produtor.

A transição para tecnologias mais seguras — como lâmpadas LED — está em curso, mas a mudança é lenta, sobretudo em pequenas empresas e serviços.
O projeto LIFE Mercury Free sublinha, assim, a necessidade de reforçar a informação públicaincentivar boas práticas de recolha e promover maior transparência na gestão dos resíduos contendo mercúrio.

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