Resultados dos Inquéritos sobre Perceção e Comportamentos face ao Mercúrio

Jovens e comunidade escolar mais conscientes, mas ainda com lacunas na informação

A Universidade de Évora, no âmbito do projeto LIFE Mercury Free, desenvolveu uma série de inquéritos junto da população para avaliar o grau de conhecimento sobre os riscos do mercúrio e as práticas de gestão de produtos que o contêm. Os questionários foram aplicados antes e depois das ações de sensibilização, permitindo medir a evolução da perceção e do comportamento dos participantes.

Os resultados revelam uma evolução positiva no nível de conhecimento sobre os efeitos nocivos do mercúrio na saúde humana e no ambiente. Antes das sessões, muitos participantes desconheciam a forma correta de identificar ou descartar produtos contendo este metal pesado. Após as ações presenciais, registou-se um aumento significativo na proporção de respostas corretas e na intenção declarada de substituir artigos com mercúrio por alternativas mais seguras.

A amostra foi diversificada: na primeira fase (2023), predominavam estudantes com formação superior (74% com mestrado ou mais). Na segunda fase (2025), 51% tinham apenas escolaridade básica, o que permitiu comparar diferentes níveis de literacia ambiental.
Os principais resultados indicam que:

  • Mais de 80% dos inquiridos afirmaram querer substituir produtos com mercúrio por versões sem este elemento;
  • Quase todos manifestaram interesse em aprender mais sobre a forma adequada de eliminar resíduos perigosos;
  • Contudo, a maioria admitiu não saber onde se localiza um ponto de recolha seletiva na sua cidade — e muitos nunca procuraram essa informação.

Os inquéritos mostraram ainda que as fontes de informação mais referidas foram a escola, o trabalho e a internet, e que os objetos com mercúrio mais comuns nas habitações continuam a ser termómetros e lâmpadas fluorescentes.
Embora os resultados demonstrem avanços significativos, as inconsistências observadas em algumas respostas reforçam a importância de dar continuidade a estas ações de sensibilização e formação.
A conclusão é clara: aumentar a consciencialização é um passo essencial, mas é igualmente necessário melhorar o acesso a infraestruturas adequadas e à informação prática sobre recolha e reciclagem.

Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *